O que a lei já permite
O instrumento está pronto. A pergunta é quem vai usar.
Diagnóstico: Espírito Santo
Domínio simbólico não aparece na estatística de homicídio
O Espírito Santo fechou 2025 com 796 homicídios dolosos, o menor número desde o início da série em 1996 e queda de 6,8% frente a 2024, quando foram 852 casos. A taxa de 2024, de 20,8 por 100 mil habitantes, também foi a menor já registrada no estado. Os dados são do próprio Governo do Espírito Santo, e são reais.
Só que o indicador de homicídio mede uma coisa: quem morreu. Ele não mede quem foi expulso de casa, quem paga pedágio para manter a mercearia aberta, quem precisa pedir autorização para receber visita. É esse controle que Assis chama de domínio simbólico, e é ele que a Lei Antifacção passou a tipificar de forma específica em 2026, ao focar no método do grupo, o uso da violência como ferramenta de domínio, e não apenas na sua estrutura.
O que ele propõe
Cinco medidas concretas de mandato
Por onde o dinheiro sai
Facção sem caixa não paga fuzil, advogado nem folha
O cálculo do Instituto Igarapé estima o custo do crime organizado no Brasil em até R$ 1,3 trilhão por ano, cerca de 10,24% do PIB de 2025. Dentro desse total, mercados ilícitos e pirataria, incluindo o tráfico de drogas, respondem por R$ 468 bilhões, e a economia subterrânea com sonegação e contrabando por outros R$ 300 bilhões.
Esse volume de dinheiro é o que sustenta armamento, advogado, propina e a folha de pagamento da facção. A Lei Antifacção ampliou o alcance do Estado sobre ele: dinheiro, imóvel, participação societária, criptoativo, perda de patrimônio sem condenação criminal em certas hipóteses, suspensão do CNPJ de empresa usada para receptação e inaptidão definitiva na reincidência. Aplicar isso é a diferença entre prender indivíduos e desmontar estrutura.
Os vetos de março de 2026
Na sanção, dois trechos aprovados pelo Congresso foram vetados. Um deles permitia enquadrar na lei quem praticasse condutas típicas de facção sem integrar formalmente a organização.
É exatamente a figura que Assis descreve como o "fiel": o civil que ergue barricada e queima ônibus a serviço do crime sem carteirinha de facção. A tipificação do favorecimento ao domínio social estruturado permaneceu no texto, mas o alcance ficou mais estreito do que o Congresso aprovou.
A posição dele é fechar essa brecha por via legislativa, com redação que resista ao teste de constitucionalidade.
Perguntas frequentes
O que perguntam sobre a Lei Antifacção
Fontes
De onde vem cada número desta página
A descrição do domínio simbólico, das "formiguinhas" e dos "fiéis" é o diagnóstico operacional apresentado pelo próprio candidato, com base na sua experiência na segurança pública no Espírito Santo.