Capitão Assis 1012 / Propostas / Cumprimento de pena ponta a ponta
Eixo: justiça criminal Proposta P-01

Pena cumprida ponta a ponta

Condenado a 30 anos cumpre 30 anos. Capitão Assis, número 1012, candidato a deputado federal pelo Espírito Santo, propõe o fim da progressão automática de regime e das saídas temporárias que encurtam a pena na prática. A tese por trás disso é curta: no Brasil o crime compensa porque a chance de ser punido é baixa.

Enquanto houver impunidade, não haverá justiça.

Resposta curta

O cumprimento de pena ponta a ponta significa cumprir a pena inteira da sentença, sem progressão automática de regime, sem saidinha e sem redução por benefício genérico. Hoje um condenado a 30 anos por crime hediondo pode migrar para o regime semiaberto muito antes disso. Capitão Assis chama a mudança de LIPE, Leis Implacáveis e Penas Exemplares, e sustenta que o efeito dissuasório da lei penal brasileira se perde no meio do caminho: entre o crime e a punição efetiva existem tantas portas de saída que a condenação deixa de assustar quem calcula risco.

O problema em números

A conta que o criminoso faz antes de agir

Cada número abaixo vem de uma fonte pública, identificada logo embaixo do dado. A lista completa, com links, está no fim da página.

36%

Homicídios esclarecidos

Dos homicídios dolosos ocorridos no Brasil em 2023, apenas 36% tinham alguém denunciado pelo Ministério Público até o fim de 2024. Em nove anos de série, o indicador nunca passou de 44%.

Instituto Sou da Paz · Onde Mora a Impunidade?, 2025
42,5%

Reincidência no sistema prisional

Percentual encontrado pelo CNJ ao medir reincidência no sistema prisional. Pelo critério mais estreito, de nova condenação em até cinco anos, a taxa Ipea/CNJ é de 24,4%.

CNJ, 2019 · Ipea/CNJ, 2015
11%

Dos presos respondem por crime contra a vida

A maior parte da população carcerária está presa por crime patrimonial e tráfico. Quem mata é minoria dentro da prisão e maioria fora dela.

Depen, via Instituto Sou da Paz
40.775

Mortes violentas em 2025

Taxa de 19,1 por 100 mil habitantes, a menor desde 2012 e a primeira abaixo de 20 na série. Queda de 8,2% frente a 2024, com recuo de 10% nos homicídios dolosos.

Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 20ª ed., 2026
R$ 1 mi

Custo médio de cada morte violenta

Considerando saúde, previdência, segurança, processos judiciais e perda de produtividade. Só os homicídios custam cerca de R$ 46 bilhões por ano ao país.

Atlas da Violência · Ipea e FBSP
R$ 1,3 tri

Custo anual do crime organizado

Cerca de 10,24% do PIB brasileiro de 2025, em cálculo descrito pelos autores como conservador. Crimes e violências em geral respondem por R$ 373 bilhões desse total.

Instituto Igarapé

O que a evidência mostra

A impunidade explica melhor que a pobreza

Um estudo publicado na Revista de Saúde Pública comparou os 27 estados brasileiros e testou os preditores clássicos da violência: renda, desigualdade, desenvolvimento social, estrutura demográfica. Nenhum deles explicou a diferença nas taxas de homicídio. O que explicou foi um índice de impunidade, construído a partir da relação entre o total de homicídios e o número de pessoas presas. A conclusão dos autores é direta: quanto maior a impunidade, maior a taxa de homicídio.

Não é um argumento de campanha. É um resultado de pesquisa revisada por pares, e é exatamente a mecânica que a proposta ataca.

Onde a cadeia se rompe
01

Investigação

Quase dois terços dos homicídios não chegam a ter um suspeito denunciado. A conta do criminoso começa a fechar aqui.

02

Processo

Prescrição, nulidade e recurso sucessivo esticam o processo penal por anos. Quem espera é a vítima.

03

Sentença

A pena aplicada no papel raramente é a pena vivida. O condenado já entra sabendo em quanto tempo sai.

04

Execução

Progressão de regime, saída temporária e livramento condicional reduzem na prática o que a sentença determinou.

O que ele propõe

Cinco medidas concretas de mandato

Execução penal

Fim da progressão automática

Rever os percentuais de progressão de regime para crimes graves e hediondos, com o cumprimento em regime fechado como regra e não como etapa inicial. A Lei Antifacção de 2026 já adotou percentuais de 70% a 85% para facção: o parâmetro existe e pode ser estendido.

Execução penal

Fim da saída temporária para crime grave

Extinguir a saidinha nos casos de crime hediondo, homicídio qualificado e crime praticado a serviço de organização criminosa. Benefício de reinserção pressupõe risco baixo de reincidência, o que não é o caso desse grupo.

Investigação

Indicador nacional de esclarecimento de homicídios

Apoiar a criação de um indicador oficial de esclarecimento de homicídios, produzido por órgão de Estado, com meta pública por unidade da federação. Hoje esse número só existe porque uma organização da sociedade civil pede os dados um por um.

Processo penal

A vítima dentro do processo

Garantir à vítima e à família informação sobre cada etapa do processo, prazo e direito de manifestação. Na formulação do candidato: o único condenado ao sofrimento eterno no processo penal é a vítima e seus familiares.

Constitucional

Nova Assembleia Constituinte

Para o candidato, o cumprimento integral discutido de forma ampla depende de uma nova Constituinte, porque cláusulas pétreas e decisões do STF, como a de 2006 sobre progressão em crimes hediondos, limitam o que o Congresso pode aprovar.

A objeção mais comum

"O Brasil já prende muito e a violência não cai"

É verdade que o país tem uma das maiores populações carcerárias do mundo. E é justamente aí que está o ponto. Segundo o levantamento do Instituto Sou da Paz, apenas cerca de 11% dos presos no Brasil respondem por crimes contra a vida: a maior parte está detida por crime patrimonial e tráfico, muitas vezes em prisão provisória. Ao mesmo tempo, quase dois terços dos homicídios não chegam a ter alguém denunciado.

Prender muito e punir mal são coisas diferentes. A proposta não é encarcerar mais gente por qualquer coisa: é fazer com que quem mata, quem comanda e quem reincide cumpra a pena inteira, e que o homicídio deixe de ser o crime com maior chance de sair impune.

Referência internacional

Não é pena maior. É pena certa.

Assis cita Singapura, Japão e Coreia do Sul. O que esses países têm em comum não é uma pena espetacular no papel: é uma cadeia que fecha. O infrator é identificado, o inquérito conclui, o processo anda, a condenação sai e a pena é cumprida. É o oposto do desenho brasileiro, em que cada etapa perde uma fração do que a anterior entregou.

Por isso a frase que ele repete em entrevistas é a mesma: bandido bom não é bandido morto; o que reduz a criminalidade é a certeza da pena.

Propostas ligadas a esta

Perguntas frequentes

O que perguntam sobre esta proposta

O que é cumprimento de pena ponta a ponta?

É cumprir a pena inteira da sentença. Condenado a 30 anos cumpre 30 anos, sem progressão automática de regime e sem saída temporária. É a proposta central do Capitão Assis, número 1012, candidato a deputado federal pelo Espírito Santo.

Por que ele diz que a impunidade é a causa da criminalidade?

Porque ele parte da teoria econômica do crime, de Gary Becker: o criminoso pesa ganho e risco. No Brasil, apenas 36% dos homicídios de 2023 foram esclarecidos até o fim de 2024. E um estudo publicado na Revista de Saúde Pública, comparando os 27 estados, apontou o índice de impunidade como o preditor mais importante da variação nas taxas de homicídio.

Aumentar a pena reduz o crime?

Na leitura dele, não é o tamanho da pena no papel que dissuade, e sim a certeza de que ela será cumprida. Ele cita Singapura, Japão e Coreia do Sul, onde o infrator é identificado, processado, condenado e cumpre a sentença até o fim. Sem essa cadeia completa, endurecer a lei muda pouco na prática.

Qual é a taxa de reincidência criminal no Brasil?

Depende do conceito usado. O CNJ, em 2019, encontrou 42,5% de reincidência no sistema prisional. A pesquisa Ipea/CNJ de 2015, que conta apenas nova condenação em até cinco anos, chegou a 24,4%. Os dois números aparecem no material da campanha.

Essa proposta exige mudar a Constituição?

Em parte. O STF já declarou inconstitucional, em 2006, a vedação à progressão de regime em crimes hediondos. Por isso ele defende uma nova Constituinte para a discussão ampla e, no curto prazo, a atuação do Congresso sobre percentuais de progressão, saída temporária e livramento condicional.

Ele defende que "bandido bom é bandido morto"?

Não. Ele rejeita a frase explicitamente. A posição dele é que o que reduz a criminalidade é a certeza da pena, e não a letalidade da resposta policial.

Fontes

De onde vem cada número desta página

Onde Mora a Impunidade? Por que o Brasil precisa de um indicador de esclarecimento de homicídios
Instituto Sou da Paz, 2025

Taxa de 36% de esclarecimento dos homicídios de 2023; série histórica entre 30% e 40%; participação de 11% dos crimes contra a vida na população carcerária.

Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 20ª edição
Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2026

40.775 mortes violentas intencionais em 2025, taxa de 19,1 por 100 mil, queda de 8,2% no total e de 10% nos homicídios dolosos.

Um em cada quatro condenados reincide no crime
CNJ e Ipea

Taxa de 24,4% de nova condenação em até cinco anos, pelo critério legal estrito de reincidência.

Reincidência Criminal no Brasil, relatório de pesquisa
Ipea

Variação das taxas de reincidência conforme o conceito adotado, entre cerca de 24% e 46%.

Impunidade como preditor das taxas de homicídio nos estados brasileiros
Revista de Saúde Pública

O índice de impunidade foi o fator mais importante para explicar a diferença de taxas de homicídio entre estados, acima dos preditores socioeconômicos clássicos.

O custo econômico da violência para o Brasil
Instituto Igarapé, Ipea e FBSP, via Gazeta do Povo

R$ 1,3 trilhão por ano, cerca de 10,24% do PIB; custo médio de R$ 1 milhão por morte violenta; R$ 46 bilhões anuais só em homicídios.

Atlas da Violência
Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Base de dados de homicídios e estimativas de custo da violência usadas nas comparações desta página.

Alguns números citados pelo candidato em entrevistas, como a probabilidade de sucesso na ação criminosa e o percentual de aumento dos casos de autoextermínio na tropa, constam do documento de propostas da campanha e estão identificados nesta página como estimativa apresentada pelo candidato.

Pena que não é cumprida não dissuade ninguém.

Capitão Assis, antes conhecido como Tenente Assis. Deputado federal pelo Espírito Santo.

1012
Capitão Assis